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As atuais situações políticas do Brasil e da Venezuela são críticas. No primeiro caso, o processo de impeachment da ex-presidenta Dilma Rousseff foi permeado de incertezas quanto à sua legalidade, além de estar inserido em um quadro de intensa crise econômica e acentuar as divisões sociais e políticas no país. Já o segundo se encontra sob uma profunda crise política e econômica, em que o presidente Nicolás Maduro é acusado de concentrar poderes no Executivo e de prorrogar o referendo revogatório, articulado pela oposição, que poderia abreviar seu mandato. Frente a estas duas situações alarmantes, a Organização dos Estados Americanos, primeiro comitê simulado em língua portuguesa em todas as edições do AMUN, reúne-se em Assembleia Geral Extraordinária motivada pela possibilidade de desrespeito aos princípios democráticos sob os quais a Organização se fundamenta.

O caráter extraordinário da Assembleia Geral se traduz, primeiramente, na capacidade dos Estados-membros de discutir a possibilidade de aplicação da Carta Democrática Interamericana sobre tais países, a qual pode determinar sua própria continuidade como Estados-membros do órgão. Em segundo lugar, a Assembleia Geral Extraordinária convoca para a discussão não representantes permanentes, mas a dupla formada pelo chefe de Estado e pelo Chanceler de cada um dos Estados-membros. Dessa forma, as delegações que participarem da OEA do 20º AMUN poderão não apenas examinar casos geopoliticamente próximos à sua realidade e conjecturar sobre a história latino-americana que está sendo construída neste exato momento, como também farão história dentro do próprio AMUN.

APLICAÇÃO DA CARTA DEMOCRÁTICA INTERAMERICANA NA RESOLUÇÃO DE CRISES DOMÉSTICAS: OS CASOS DO BRASIL E DA VENEZUELA